Preservação do lajeado São José é essencial

O município de Chapecó apresenta crescimento econômico acima da média. A população aumentou consideravelmente nos últimos anos, principalmente atraídos por oportunidade de emprego, especialmente com o fortalecimento das agroindústrias e crescimento das atividades de comércio e serviços. Ainda, devido à expansão do ensino superior, muitas pessoas vieram morar na maior cidade do Oeste. O progresso e desenvolvimento é bom, mas gera alguns problemas. Em Chapecó, houve impacto significativo do processo de urbanização, atingindo principalmente o meio ambiente.

Chapecó possui uma extensão de 624,30 km² e está localizada na margem direita do rio Uruguai, entre dois de seus afluentes, os rios Chapecó e Irani. A área urbana se distribui por sobre duas microbacias, sendo as bacias do lajeado Passo dos Índios e do lajeado São José. No início de sua colonização, na década de 1920 e, especialmente a partir da década de 1930, a cidade de Chapecó foi idealizada em traçado geométrico ou “xadrez” e construída sobre a bacia do lajeado Passo dos Índios. Porém, não foram considerados aspectos de relevo, vegetação ou curso d’água.

Na época, a água tinha importância somente para desenvolver a economia, pois as madeireiras, olarias e moinhos, principais ramos econômicos daquele tempo, precisavam estar próximos de água. Assim, a divisão fundiária foi estruturada de forma em que as edificações eram construídas ao redor de rios e córregos. Ao longo dos anos, a retirada da cobertura vegetal e a impermeabilização do solo, através da pavimentação asfáltica, diminuíram a interceptação das chuvas e sua infiltração no solo, aumentando a ocorrência de enchentes, especialmente a partir da década de 1960.

Com o crescimento de Chapecó e a ocupação da bacia do Passo dos Índios, o município passou a crescer, a partir da década de 1970, na área da bacia do lajeado São José, após o surgimento das primeiras agroindústrias. Deste modo, foi abandonado a configuração “xadrez” e o município passou a se desenvolver a partir de eixos lineares, direcionados às áreas norte e oeste (Efapi). Estes territórios passaram por forte crescimento urbano ao longo das décadas de 1970 e 1980, com o aparecimento de diversos loteamentos, principalmente nas proximidades das agroindústrias.

A expansão acelerada e, de certa forma, não planejada, impactou sobre o lajeado São José, que é a principal fonte de abastecimento de água de Chapecó, tanto que a partir da década de 1990, o processo acabou desacelerado em consequência da legislação ambiental. Em 2010, conforme diversos estudos, a pressão de expansão urbana sobre a microbacia ficou insustentável, a ponto de uma legislação de uso do solo ser aprovada, sem o necessário embasamento técnico-científico, considerando a fragilidade e a importância dessa área para o município, principalmente da água.

Apesar da existência do Projeto de Sistema Integrado Chapecozinho, que trará água potável para Chapecó através do rio Chapecozinho, é necessário o surgimento de uma política pública que garanta a preservação do lajeado São José, que ainda apresenta muitas características naturais. Para solucionar os problemas ambientais, é preciso vincular meio ambiente e relações sociais, ou seja, somente com planejamento e integração urbana com aparelhos públicos é possível salvar o lajeado. Olhar os erros do passado e projetar um futuro mais sustentável é fundamental para Chapecó.

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Foto: Rodrigo Goulart/Diário do Iguaçu

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