O Oeste catarinense não pode ser visto como “fundo de quintal”

O Oeste catarinense é destaque quando o assunto é produção de origem animal. Municípios como Concórdia, Seara, Joaçaba e Chapecó, são alguns exemplos de criação de suínos. O IBGE em 2017, destaca que Santa Catarina contabilizou 8.438.850 cabeças de suínos. Logo, se percebe que a suinocultura é um dos carros chefes da economia no Oeste catarinense.

A agropecuária é um dos elementos fundamentais para a economia. Além disto, garante oportunidade de trabalho de forma direta e indireta, e permite que os produtores fortaleçam e movimentem os seus negócios, sendo que em sua grande maioria são pequenos agricultores e fortalecem a agricultura familiar, mostrando ser a agricultura e pecuária, essenciais fontes de fomento a cultura de subsistência.

O Oeste de Santa Catarina sempre se mostrou ser uma região muito trabalhadora, empreendedora e que não se abala com as diversas crises que recaíram sobre o setor. Apesar de ser um expoente econômico para o estado, o Oeste nunca teve um reconhecimento a altura por parte do governo estadual, salvo a gestão de Luz Henrique da Silveira, que procurou descentralizar o poder e reestruturar o Oeste, historicamente sempre foi visto como fundo de quintal do Estado.

O cenário atual não é diferente, a malha viária está totalmente defasada, desestruturada, basta dar uma volta de carro na grande Oeste para perceber a situação calamitosa em que se encontra. Destaco aqui a atuação do governador Eduardo Pinho Moreira e do deputado federal e pré-candidato ao Governo do Estado, Mauro Mariani, em buscar iniciativas para solucionar as rodovias, uma delas é a criação de um fundo para fazer a manutenção, pois não podemos depender de um “governo de plantão”. Neste sentido, se o fundo for criado, o valor arrecadado será destinado para adequar a sinalização e realizar a operação “tapa buracos”.

Além de lutar por melhorias nas rodovias do Oeste catarinense, defendo a implementação da ferrovia de integração. É necessário elaborar um projeto para ligar o Oeste com outras regiões de Santa Catarina, e com estados próximos. Nossa região produz muitos alimentos e que são levados para outros municípios através das rodovias, precisamos evoluir e utilizar outros meios para receber e exportar produtos, a via ferroviária é uma boa alternativa pois reduz muito o preço final dos produtos. Barateando assim a produção e aumentando a renda dos pequenos agricultores.

Os municípios que implantaram as vias ferroviárias, frisaram objetivos em comum, como estabelecer alternativas econômicas; interligar a malha ferroviária brasileira; e criar estratégias para escoamento. Por conseguinte, o retorno para os municípios é relacionado com o baixo custo de transporte de alimentos, o aumento da produção, subsídios para outras áreas, como saúde e educação além de reduzir a poluição e também os acidentes de trânsito, sendo indispensável para isto qualificar a malha viária das rodovias.

Além disto, considero essencial a valorização dos caminhoneiros, tendo condições dignas de trabalho, de descanso e também de remuneração. A última greve dos caminhoneiros foi uma demonstração de união da classe em luta de melhores condições e aponta mudanças urgentes nas políticas públicas, uma delas criar estratégias de melhorias para os programas de apoio e assim, diminuir os riscos dos motoristas que transportam cargas e valorizar o trabalho desenvolvido.

unnamed

2 comentários em “O Oeste catarinense não pode ser visto como “fundo de quintal”

  1. MANDAMOS UM BOI, RECEBEMOS UM BIFE…

    Não há frase mais adequada para descrever a relação entre Oeste de SC, especialmente o Meio-Oeste, e os governos do Estado e Federal. A região que detém o segundo PIB de SC, tem recebido um pequeno bife, dos governos, no lugar de investimentos. Na região Meio-Oeste a coisa é muito pior, parece não pertencer a federação; uma região antes promissora, está perdendo suas empresas, sua estrutura e, pior ainda, seus filhos para outras regiões. Houve apenas três investimentos federal na região em toda a sua história: a Ferrovia do Contestado e as BRs 282 e 153. Apesar do apelo e das ameaças das agroindústrias do Oeste de retirarem suas unidades de Santa Catarina por falta de ferrovias, o próprio governo federal deu descarga na Ferrovia do Contestado, entregando-a para a iniciativa privada, gerida por empresários do modal rodoviário, que trataram de fechá-la rapidamente para evitar concorrência com pneus, caminhões, carrocerias, etc; as duas BRs estão pra lá de desatualizadas, além da precariedade da pavimentação e sinalização, não são duplicadas, servindo mais para promover acidentes e mortes do que desenvolvimento.

    A unica emissora de TV concedida legalmente para a região Meio-Oeste, deu adeus e foi foi parar, veja só, em Lages; o aeroporto de Joaçaba está há mais de cinco anos sem voos regulares com uma promessa vazia e decorada de ampliação, causando transtornos e prejuízos a milhares de pessoas que precisam se deslocar para Chapecó pegar voos. Chapecó é uma exceção no Oeste, o município ainda é considerado parte de Santa Catarina, com alguns investimentos, mas todos os demais estão muito longe disso. E não está longe os dias em que a população de uma região que mudou a história do desenvolvimento do Oeste de Santa Catarina vai precisar se deslocar a outras regiões para adquirir o mais básico.

    Que os governos paguem pela ingratidão, pois o povo honrado e trabalhador do Meio-Oeste continuará mandando um boi para os governos, ainda que continue recebendo um bife ou apenas os ossos.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s